“Quem são os compositores que representam a voz da favela?”, questiona o cineasta Simplício Neto. A resposta vem por meio do filme Onde a Coruja Dorme, que ele lança em codireção com Márcia Derraik este mês.
A obra é inspirada nos letristas que, regidos por Bezerra da Silva (1927-2005), embalavam o samba das favelas cariocas desde a segunda metade da década de 1960.
Iniciado em 2001 em formato de curta-metragem, o projeto conseguiu recursos para tornar-se um longa apenas depois da morte do poeta da malandragem. “Depois que o Bezerra morreu, facilitou, porque nós temos essa coisa de glória nacional aqui no Brasil”, diz Simplício.
A fim de descobrir as histórias por trás das canções contestatórias que abordam temas como drogas, violência e religião, de acordo com o diretor, “o filme investiga quais são as colocações éticas e estéticas de Bezerra”.
Assim, explorando a vida e obra dos letristas e moradores dos morros, responsáveis por músicas como “A Semente” e “Malandragem Dá um Tempo”, o longa alterna o cotidiano dos músicos com entrevistas com o próprio Bezerra.
Sobre o recorte do documentário, Simplício resume: “O que mais nos encantava era que quem compunha as músicas não era o Bezerra, mas um exército de compositores anônimos”.