O repasse do tesouro ao Iamspe vem sendo reduzido de 28% a 10% entre 2020 e 2026. Em Em 2024 foram 10 reais de contribuição do governo estadual, sem reposição de pessoal
Nos últimos anos, o Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo (HSPE) e a rede de atendimento gerida pelo Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (IAMSPE) vem enfrentando um processo grave de sucateamento e desfinanciamento, com impacto direto na vida de servidores, seus dependentes e de toda a população que depende do serviço público de saúde. Para se ter uma ideia, em 2024, a contribuição do governo estadual foi de R$ 10 e o repasse do tesouro ao Iamspe vem sendo reduzido de 28% a 10% entre 2020 e 2026, fazendo com que o hospital seja financiado pelos servidores em quase sua totalidade.
São inúmeras as denúncias recebidas pela Promotoria de Justiça sobre o instituto, destacadas em entrevista concedida pela promotora Dora Martin Strilicherk ao portal de notícias Outras Palavras e por posicionamentos de lideranças políticas preocupadas com o futuro da saúde pública. Ambos apontam que a autarquia atravessa uma crise estrutural causada pela ausência de repasses adequados do governo do estado e pela falta de reposição de pessoal. A Promotoria de Justiça encaminhou os questionamentos à Secretaria da Fazenda e a vários deputados, mas sem retorno algum.
O IAMSPE administra uma extensa rede de 17 hospitais públicos e conveniados que, juntos, atendem mais de 1 milhão de paulistas. Entre os impactos do desfinanciamento estão:
Para a secretária geral da diretoria plena do Simesp, Juliana, Salles, a crise não é apenas gerencial, ela expõe uma opção política clara “de redução do papel do Estado e das instituições públicas de saúde mesmo diante de um quadro de envelhecimento populacional e aumento de necessidades médicas”.
Somente em 2025, o Simesp esteve ao lado das médicas, médicos e demais profissionais do HSPE em momentos decisivos, atuando para denunciar irregularidades, cobrar soluções e defender condições dignas de trabalho e atendimento. Logo no início do ano, o sindicato tornou pública a situação crítica dos vínculos trabalhistas no IAMSPE: profissionais estavam sem recolhimento de INSS desde 2022 e com o FGTS interrompido em 2025, colocando em risco direitos previdenciários e a segurança jurídica da categoria. Diante desse cenário, o Simesp notificou a gestão, cobrou explicações formais, conseguiu espaço em um veículo de imprensa importante para denunciar a situação e pressionou por regularização imediata, acompanhando o caso de perto para evitar que a negligência do Estado resultasse em prejuízos irreversíveis.
O sindicato também esteve presente na mobilização que culminou na paralisação de 48 horas dos trabalhadores da saúde, deflagrada diante do descumprimento de acordos e do agravamento das condições de trabalho no estado. Acompanhamos as reivindicações, reforçou a pauta de valorização profissional e se somou às demandas por condições mínimas de dignidade, que afetam diretamente quem atua no Hospital do Servidor. Paralelamente, o sindicato seguiu denunciando a redução de equipes, a sobrecarga e os impactos do desfinanciamento crônico do IAMSPE, alertando para os riscos de manter um hospital de referência funcionando com capacidade comprometida e sem reposição adequada de pessoal.
“Em todas essas frentes, reafirmamos que o HSPE é um patrimônio da saúde pública paulista e não pode seguir à mercê do abandono institucional. Insistimos na necessidade de investimentos, transparência e políticas de fortalecimento da rede, defendendo que a recuperação do IAMSPE passa, necessariamente, pela valorização de quem trabalha e pela garantia de atendimento digno para os mais de um milhão de usuários que dependem do sistema”, defende a dirigente.
O Simesp reafirma seu compromisso com a defesa do HSPE, do IAMSPE e do SUS como pilares do direito à saúde. Exige resposta imediata dos poderes públicos, com reposição de recursos, concursos para recompor o quadro de profissionais e garantia de atendimento digno a todos os usuários.