A Dermatologia é a segunda especialidade médica a paralisar o atendimento eletivo aos pacientes dos planos de saúde Ameplan, Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), Intermédica, Notredame e Volkswagen, entre os dias 3 e 6 de setembro.
"Temos grandes problemas de relacionamento com as empresas operadoras de planos de saúde. Nossa especialidade tem muitos procedimentos ambulatoriais e percebemos grande desrespeito no pagamento destes honorários. Os custos de manutenção dos consultórios são crescentes, por isso muitos médicos estão fechando os seus e os mais novos estão desmotivados a abri-los”, esclarece Aldo Toschi, coordenador de Comunicações da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional São Paulo (SBD-SP).
Iniciada em 1º de setembro com a Ginecologia e Obstetrícia, a paralisação do atendimento médico também terá adesão da Otorrinolaringologia (8 a 10 de setembro), Pediatria (14 a 16 de setembro), Cardiologia (16 a 19 de setembro), Ortopedia e Traumatologia (19 e 20 de setembro), Pneumologia e Tisiologia (21 a 23 de setembro) e Cirurgia Plástica (28 a 30 de setembro), além da Anestesiologia, que acompanhará as especialidades paradas não realizando procedimentos das mesmas.
Segundo o presidente da SBD-SP, Mauro Enokihara, "para os dermatologistas que atuam na área clínica, a desvalorização das consultas e procedimentos é tão grave quanto nas outras especialidades médicas”.
"Como sabemos, os planos de saúde remuneram mal, pagam um preço muito baixo pela consulta médica e procedimentos, inclusive os realizados pelos dermatologistas”, argumenta Nelson Proença, ex-presidente da Associação Paulista de Medicina (APM) e da Associação Médica Brasileira (AMB).
Conforme declara Toschi, a agenda dos dermatologistas é normalmente muito cheia, por isso a paralisação da categoria pode ajudar positivamente o movimento da Comissão Estadual de Mobilização Médica para a Saúde Suplementar, composta pela APM, Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), Sindicatos dos Médicos de São Paulo, Academia de Medicina de São Paulo e Sociedades de Especialidade.
"Os planos de saúde dependem muito do nosso atendimento, apenas os pacientes sem casos graves visitam os dermatologistas de três a quatro vezes por ano, média acima das outras especialidades”, conclui o coordenador de Comunicações da SBD-SP.