Com mais de um século, ele já é um senhor respeitado. E mudou muito desde sua criação, com míseras 26 pinturas.
O acervo da Pinacoteca do Estado está afastado do público desde dezembro, quando o segundo andar do museu fechou para reforma. Já estava na hora – a seleção e organização dos trabalhos era a mesma desde 1998. Mas valeu esperar.
A partir de sábado (15), às 11h, cerca de 500 obras pertencentes à instituição estarão em ‘Arte no Brasil: Uma História na Pinacoteca de São Paulo’.
O título da exposição dá dicas sobre sua intenção. “É mostrar como é representado o Brasil, como o Brasil vê o próprio Brasil”, define Ivo Mesquita, curador-chefe do museu.
Entre as obras, estão pinturas, esculturas, desenhos, gravuras e fotografias. Grande parte delas passou por processo de restauro – afinal, não é fácil chegar bem aos cem anos.
As paredes baixas que dividiam as salas foram alongadas e o carpete, substituído por piso laminado em várias camadas, que protege o original. O resultado: salas mais amplas e iluminadas.
O acervo ficou mais acessível aos turistas internacionais. As legendas das obras, os textos explicativos e o mapa da mostra estão disponíveis em três idiomas: português, inglês e espanhol.
Distribuídas em 11 salas temáticas, as peças do acervo apresentam produções artísticas desde o período colonial. Na ala dedicada aos gêneros da pintura, há retratos, paisagens e naturezas-mortas, como a de Almeida Júnior. E, em todos os ambientes, paredes destacadas em cinza exibem produções mais atuais (de artistas como Felipe Cohen, por exemplo), que dialogam com as peças do acervo.
Quatro salas são dedicadas a mostras temporárias que exibem outras facetas do acervo ou traçam paralelos com ele. Entre elas, está uma seleção de antigos retratos que tem como pano de fundo o Parque da Luz – em alguns deles, é possível identificar, ao longe, a Pinacoteca.
No caminho entre uma sala e outra, repare nas obras de Victor Brecheret e Amilcar de Castro da Galeria Tátil de Esculturas Brasileiras. Os deficientes visuais têm permissão para tocá-las – e sentir suas texturas.
VEJA TAMBÉM:
Na chamada Sala de Interpretação, teste suas aptidões de ‘curador’, manuseando objetos do cotidiano e organizando uma ‘coleção’ só sua. Lá, você também pode conhecer as etapas de confecção de pinturas com tinta a óleo, litografias e esculturas em bronze. E, se quiser registrar suas memórias (recentes ou bem antigas) sobre a Pinacoteca, uma cabine colhe depoimentos em vídeo dos visitantes.
Com pufes e tapetes em formato hexagonal, a Sala de Leitura é um convite a uma “pausa produtiva”, como define Milene Chiovatto, coordenadora do Núcleo de Ação Educativa. É que, enquanto descansa, você pode se entreter folheando livros de arte ou acessar arquivos do museu, por computadores. Lá, você também tem acesso às varandas do edifício, que estavam fechadas ao público há anos.