O Sindicato dos Médicos de São Paulo cobriu esta manhã a coletiva de imprensa sobre pesquisa realizada com usuários de planos de saúde, realizada pelo Datafolha, encomendada pela Associação Paulista de Medicina. As principais queixas dos usuários estão relacionadas à demora no atendimento, seja para marcar consulta, para conseguir realizar os exames, e até mesmo para ser atendido nos pronto-socorros e pronto-atendimentos; além de autorização de consultas e exames; descredenciamento de médicos e poucas opções de laboratórios e hospitais.
A amostragem da pesquisa partiu de 1.943 pessoas. Dessas, 40% eram usuárias de planos de saúde, ou seja, 804 pessoas. A maioria, 59%, tem planos empresariais, contratados pelas empresas em que estão registrados. Transferindo para a população do Estado de São Paulo, este número representa 10 milhões de usuários.
Um dado alarmante na pesquisa apresentada é que 77% da população já enfrentou algum problema em relação aos planos de saúde. E a média de problemas gira em torno de 4,2 por pessoa.
Alguns outros dados, chamaram atenção dos representantes das entidades médicas, como, por exemplo, o fato de que 49% desconhece se o plano possui algum programa de prevenção. “A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) promove um estímulo a aspectos preventivos”, informou o presidente da APM, Florisval Meinão. Para ele, seria uma forma de beneficiar o usuário e reduzir a incidência de doenças crônicas e complicações decorrentes delas, o que geraria economia para as empresas.
Apesar de ter plano de saúde, essas pessoas acabam recorrendo ao setor público. Nas entrevistas, 15% relatou já ter utilizado o Sistema Único de Saúde (SUS) por não ter conseguido atendimento pelo plano. “Isso representa uma clara transferência de dinheiro do setor público para o setor privado”, destacou o presidente do Conselho Regional de Medicina de São Paulo, Renato Azevedo Júnior.
O representante da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), Márcio Bichara, salientou que “a população está sendo enganada”, achando que está segura ao adquirir um plano de saúde. Bichara lembrou que a ANS suspendeu a venda de alguns planos de saúde, mas que deve intensificar este trabalho.
A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%, sendo que a coleta de dados ocorreu entre 14 e 22 de maio de 2012.
A APM e a ProTeste também lançaram um serviço nacional de apoio exclusivo aos pacientes. O telefone 0800.200.4200 atenderá reclamações de todo o Brasil, oferecendo esclarecimento e apontando encaminhamentos para a garantia dos direitos dos usuários de planos de saúde.