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23/08/2011 | Notícia Simesp

Conexão Brasil-África

Na edição desta semana do Divirta-se, entrevistei Mauricio Fleury, um dos 10 integrantes da big band de afrobeat Bixiga 70, que faz show quinta-feira (25), no Studio SP.

A entrevista foi tão legal quanto a banda, uma das melhores surgidas em 2010. E um dos grandes legados da conversa está em saber que o termo afrobeat é pouco para descrever o som que eles fazem, repleto de referências da música brasileira, que evidentemente tem seu próprio beat africano nas raízes.

E menos ainda serve para saber o que eles farão no futuro. Estudiosos, eles já têm planos de passear também por estilos latino-americanos, como a cumbia. Mas isso é papo para outra hora, quando eles chegarem nesse outro momento. Por enquanto, vale entender de onde saiu a sonoridade das composições do grupo, que logo mais, em outubro, estará nas prateleiras em dois formatos: um single no começo do mês e um disco completo, com sete faixas, no final.

E, já que ouvir música é um prazer, listo aqui algumas das influências citadas por Fleury, com os comentários do próprio. Seleção que ajuda a entender de onde vem a inspiração deles e também serve para perceber que o afrobeat surgia na Nigéria da década de 60, pelas mãos de Fela Kuti e Tony Allen, e aqui, sem esse nome, coisas com a mesma energia aconteciam (e continuam acontecendo).

Tudo isso misturado tem reflexo direto na música que o Bixiga 70 faz: um afrobeat que pode ser — sem medo de ser injusto com o gênio Fela Kuti, sempre determinante em qualquer banda que se preste ao som africano — simplesmente música brasileira. E das boas.

E, claro, aproveito para reproduzir a entrevista publicada na versão impressa. Basta seguir por aqui.

ONDE: Studio SP (450 lug.). R. Augusta, 591, Consolação, 3129-7040. QUANDO: 5ª (25), 23h. QUANTO: R$ 25.

FELA KUTI + TONY ALLEN

“A parada para mim começou com o Tony Allen [baterista que, ao lado de Fela Kuti, criou o afrobeat]. Foi totalmente um divisor de águas para mim. Eu senti uma responsabilidade enorme e fui do Canadá, depois que acabou a Red Bull Music Academy [projeto em que Fleury conheceu o baterista], direto para Nova York e comprei um monte de discos de música africana. Que era para chegar já rodando os discos. Quando eu fui, eu já conhecia, já gostava do Fela. Mas eu conhecia apenas, nunca tinha ouvido direito. Em 2005 é que eu comecei a baixar as primeiras coisas dele e ouvir mesmo. E não tem explicação mais óbvia de que eu chapei na música porque tem piano elétrico. É o instrumento que eu mais amo, que eu toco e eu sempre vou gostar quando tiver em uma música. Eu gosto principalmente de uma certa raiva que tem no som, de uma certa maneira de tocar. Que é você chegar meio rasgando. Não tem certo e errado. Vai da vontade com que você impõe seu discurso. Quando eu ouvi o Fela improvisando, chapou minha cabeça. Mas eu ainda não tinha entrado no som. Mas quando eu conheci o Tony, e principalmente o jeito que ele foi comigo… Até eu sacar com quem eu estava conversando demorou um pouquinho. Alguém apresentou dizendo: “olha, esse aqui é o brasileiro”. E ele não me largou mais. Ele falava comigo o tempo inteiro, na parte externa, fumando, conversando. Aí ele falava que queria ficar lá tocando com a gente. E a gente ia lá tocar. A gente chegou a gravar uma música. Eu senti uma responsa muito grande das mãos do Tony. Hoje em dia eu nem gosto de ficar falando em entrevista porque parece um pouco pedante. E é uma parada minha, não é dos caras. Mas para mim virou uma missão. Do jeito que ele botou fé em mim é uma coisa que eu não vou esquecer nunca. É uma lenda. Ele é um cara que pode chegar para um jornalista e falar que não tem influências. Ele sempre foi o maestro. Era o cara que o Fela mais respeitava. O único que ele deixava opinar musicalmente. O arregimentador. O Tony era o líder da banda dele.”