Um dos principais nomes da Nouvelle Vague (expressão que teve início em 1958 para denominar um movimento artístico do cinema francês) autor do primeiro longa-metragem realizado pela vanguarda francesa no final dos anos 1950, Claude Chabrol (24 de junho de 1930 – 12 de setembro de 2010) é homenageado com uma mostra reunindo parte representativa de sua filmografia ainda disponível no Brasil em cópias em película entre sábado e o dia 27 de setembro.
Organizado pela Cinemateca, com apoio da Embaixada da França, será uma celebração da obra de um dos mais importantes diretores do cinema, reconhecido por ser um exímio cultor da linguagem clássica, especialmente da narrativa policial. Ele é igualmente famoso pelo humor negro e pela sátira aos valores e hábitos da burguesia francesa, aspecto que o levou a ser chamado de ‘Balzac do cinema francês’ – uma referência ao escritor de ‘A comédia humana’. A Cinemateca fica no Lgo. Senador Raul Cardoso, 207, tel.: 3512-6111 (ramal 215), www.cinemateca.gov.br, ingressos R$ 8,00.
Tal como seus colegas de geração – Jean-Luc Godard, François Truffaut, Jacques Rivette e Eric Rohmer –, Chabrol exerceu a crítica de cinema nas páginas da revista Cahiers du cinéma antes de lançar-se à aventura da realização e apoiar com dinheiro algumas das primeiras produções de seus companheiros. No periódico dirigido por André Bazin ele exercitou as ideias e conceitos a partir dos quais eclodiria uma nova forma de se pensar o cinema.
Como um dos ideólogos da “política dos autores”, Chabrol também partilhou do entusiasmo pela cinematografia norte-americana e por realizadores como Alfred Hitchcock e Fritz Lang, figuras que exerceram papel decisivo na formação de seu olhar de diretor. Seu aprendizado também esteve atrelado à cinefilia alimentada pela programação dos cineclubes e da Cinemateca Francesa. Embora tenha se iniciado no cinema sob as diretrizes da Nouvelle Vague e ainda que tenha dirigido parte de sua obra dentro de seus esquemas característicos, Chabrol também ingressou aos poucos no universo do cinema comercial, lançando filmes de grande sucesso de bilheteria.
A mostra exibe um panorama da extensa filmografia do cineasta, reunindo desde o longa inaugural ‘Nas garras do vício’, seu primeiro filme, até ‘A Comédia do poder’ e ‘Uma garota dividida em dois’, últimos de sua autoria lançados nos cinemas brasileiros antes de sua morte em 2010. A maior parte da seleção concentra-se, no entanto, nas décadas de 1980 e 1990, incluindo clássicos como ‘Um assunto de mulheres’, ‘Mulheres diabólicas’, ‘Negócios à parte’ e ‘Madame Bovary’, todos protagonizados por Isabelle Huppert, atriz com quem manteve grande parceria.