O Instituto de Infectologia Emílio Ribas, referência histórica no enfrentamento de doenças infecciosas no Brasil, atravessa mais um momento crítico em sua história recente. E, mais uma vez, quem sofre é a população.
Em abril, teve início uma nova etapa de terceirização dentro do hospital, mais profunda e preocupante. Médicos terceirizados passaram a assumir leitos que antes estavam sob responsabilidade de profissionais concursados do Estado.
Isso não ampliou o atendimento. Não abriu novos leitos. Apenas substituiu equipes públicas por contratos privados.
Na prática, o que vemos é o encolhimento do espaço das equipes concursadas, comprimidas em menos leitos, enquanto empresas avançam sobre a estrutura de um hospital público, famoso por suas lutas históricas no combate a epidemias como Covid, sarampo, HIV, dengue e Mpox.
A terceirização é parte de um processo contínuo de precarização que vem sendo denunciado há anos por quem vive o hospital diariamente, o que culminou em um amplo movimento criado há cinco anos pelos apoiadores do hospital, o #EmílioRibasporInteiro, que entre muitas conquistas, alcançou a abertura de oito leitos fechados em 2025, a nomeação de mais de 50 médicos e outros profissionais da equipe multidisciplinar aprovados em concursos públicos para atuarem no hospital e a reversão do fechamento de 38 leitos.
Nos últimos meses, o Emílio Ribas enfrentou situações alarmantes: leitos bloqueados, setores paralisados e interrupções nos atendimentos por falta de pagamento a equipes terceirizadas. Profissionais ficaram semanas sem salário.
UTIs foram afetadas. O funcionamento do hospital entrou em colapso
em momentos críticos.
As consequências são reais. Durante a pandemia, unidades com equipes terceirizadas apresentaram maior mortalidade, segundo um estudo do próprio instituto, publicado no The Brazilian Journal of Infectious Disease. Isso não é um dado técnico abstrato. É risco direto à vida.
A lógica da terceirização rompe vínculos, fragiliza equipes e compromete a continuidade do cuidado. Um hospital como o Emílio Ribas precisa de profissionais fixos, qualificados e comprometidos com o serviço público, capazes de continuar com a missão de ser o maior centro formador de infectologia para todo Brasil.
Hoje, existem profissionais concursados prontos para trabalhar: são mais de 600 enfermeiros, além de médicos e outros trabalhadores da saúde aguardando convocação. No caso dos infectologistas, o prazo do concurso atual está prestes a expirar, em junho.
Ainda assim, a escolha do governo tem sido terceirizar.
Não falta gente qualificada. Falta decisão política.
Defendemos:
Como medida urgente, a convocação de ao menos 15 médicos infectologistas permitiria ampliar significativamente a capacidade de atendimento, com abertura de novas enfermarias e dezenas de leitos.
Este é um momento decisivo.
Fazemos um chamado à população, às entidades da saúde, aos gestores públicos
e à sociedade civil:
O Emílio Ribas não pode ser desmontado em silêncio.
Defender o Emílio Ribas é defender a saúde pública.
E essa responsabilidade é coletiva.
Queremos um #emilioribasporinteiro