Nós, médicos do Hospital Universitários (HU) da USP, informamos à população, os motivos de nossa adesão à greve dos servidores e docentes da universidade.
O HU foi inaugurado na década de 1980 com objetivos de qualificar os cursos de saúde da USP, oferecendo como campo de prática um hospital para atender as comunidades do Butantã e os estudantes, servidores e docentes da USP. O crescimento da população no Distrito, que passou de menos de 200 mil para cerca de 480 mil em menos de três décadas, não acompanhou proporcionalmente a oferta de serviços de saúde. Hoje faltam 11 Unidades Básicas de Saúde (UBS) apenas no Distrito do Butantã. Isso explica em parte o aumento da procura do pronto-socorro do HU, nesse ano passam de mil atendimentos por dia que, em sua maioria, poderiam ser atendidos em UBS ou Unidades de Pronto Atendimento (UPA).
As reitorias da USP não investiram adequadamente na estrutura do Hospital. Dependendo das condições climáticas a permanência no prédio se torna insalubre para usuários e profissionais. Faltam profissionais para completar as equipes e a sobrecarga de trabalho prejudica a qualidade de assistência e formação dos estudantes. A suspensão de novas contratações, anunciadas pelo atual reitor agrava ainda mais essa situação. Além de todas as condições já citadas, houve por parte da reitoria, o anúncio de que esse ano não haveria qualquer reajuste salarial, isso mesmo: zero, nem mesmo a reposição das perdas inflacionárias.
Pela primeira vez em 25 anos, nós médicos do HU-USP aderimos à greve em nome de mudanças, sem as quais nosso hospital pode acabar inviabilizado em curto prazo, tanto como unidade assistencial quanto em relação à formação adequada de estudantes e residentes. Participamos desse movimento, também pelo congelamento de salários, não consideramos justo que os trabalhadores sejam responsabilizados pela crise da universidade, é necessário que haja financiamento adequado da USP e das demais universidades estaduais e entendemos que isso é responsabilidade do Governo do Estado de São Paulo.
Entendemos que nossa greve causa transtornos a todos, não é agradável restringir o acesso aos serviços do hospital, mas pedimos a compreensão dos usuários para que, unidos, possamos vencer a intransigência da reitoria e garantirmos condições minimamente adequadas de trabalho. Queremos também que a Secretaria Municipal de Saúde cumpra seu papel de oferecer adequada atenção primária à saúde na região para que o HU possa cumprir adequadamente as suas funções: fornecer uma assistência de qualidade à população da região e da USP em nível secundário, produzir conhecimento e formar com qualidade os estudantes de medicina e de todos os cursos de saúde da universidade.
Nossa luta é pela saúde e pela universidade pública. Contamos com seu apoio!
Comando de Greve – Médicos do HU-USP