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CAPS Vila Prudente está há três anos sem psicólogo e passa por terceirização para SPDM, o que pode agravar o caso

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22/09/2026 | CAPS Vila Prudente

CAPS Vila Prudente está há três anos sem psicólogo e passa por terceirização para SPDM, o que pode agravar o caso

Simesp apoia resistência à terceirização do CAPS Vila Prudente, com ocupação impedindo a tercerizada de atuar, e cobra convocação de concursados

Há três anos, o CAPS Adulto II Vila Prudente funciona sem psicólogo. Em vez de convocar profissionais aprovados em concurso para recompor a equipe, o poder executivo transferiu a gestão para a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), que já deixou de pagar os salários dos médicos em outra unidade, segundo denúncias recebidas pelo Simesp. Trabalhadores, usuários e integrantes do Conselho Gestor se mobilizam contra a mudança e impedem a entrada da SPDM desde o dia 4 de setembro. O Simesp apoia a mobilização e defende que a Prefeitura mantenha o CAPS sob administração direta. Para o Sindicato, garantir equipes completas e vínculos estáveis é ainda mais importante na saúde mental, área em que a continuidade do acompanhamento e a relação construída entre profissionais, usuários, familiares e território fazem parte do próprio cuidado. 

Para Thaís Tubero, atual diretora do Simesp e presidente eleita para a próxima gestão da entidade, a solução para a falta de profissionais passa pelo fortalecimento da equipe pública. “A Prefeitura, em vez de chamar profissionais aprovados em concurso para completar uma equipe, que está há três anos sem psicólogo, entregou CAPS para uma organização social que já foi alvo de cobranças do Simesp por problemas no pagamento de médicos. Um CAPS não é uma unidade em que se pode trocar profissionais como quem troca uma escala, o vínculo com o usuário é parte do tratamento. Tem gente aprovada em concurso esperando para trabalhar. Então chame essas pessoas e fortaleça o serviço público em vez de desmontar uma equipe que funciona.” 

O CAPS Adulto II Vila Prudente está no bairro desde 2002 e atende usuários encaminhados por nove Unidades Básicas de Saúde (UBSs), abrangendo uma população estimada em cerca de 500 mil pessoas. A equipe também é referência para residências terapêuticas e inclusivas. Com aposentadorias e transferências ao longo dos últimos anos, profissionais deixaram de ser repostos. Há três anos, por exemplo, a unidade opera sem psicólogo. 

Conselho gestor se posicionou contra a mudança

Os servidores também denunciam que a condução do processo de terceirização ocorreu sem aprovação do Conselho Gestor da unidade, que vinha se posicionando pela manutenção da administração direta e pela reposição dos servidores. O Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública e Autarquias no Município de São Paulo  (Sindsep), que acompanha a mobilização, também afirma que o Conselho Gestor não aprovou a entrega do CAPS à SPDM e reivindica uma reunião com a Secretaria Municipal da Saúde para que representantes do conselho sejam ouvidos.

A mobilização já chega à terceira semana. A transferência da unidade para a SPDM foi publicada em 1º de setembro, mas trabalhadores, usuários, familiares e representantes sindicais mantêm uma vigília e têm impedido a entrada da SPDM no CAPS.

O Simesp apoia os trabalhadores do CAPS Adulto II Vila Prudente, que reivindicam a suspensão da terceirização, o respeito às decisões do Conselho Gestor, a manutenção da administração direta, a permanência da atual equipe e a convocação dos aprovados em concurso, a recomposição da equipe.

Saúde mental precisa de vínculo

A resistência à terceirização também está relacionada à característica do atendimento realizado em um CAPS. No caso específico da Vila Prudente, há pacientes que frequentam o serviço há duas décadas e mantêm o mesmo profissional como referência há 18 anos.

Essa continuidade permite que a equipe conheça não apenas o histórico clínico, mas a família, as condições de vida e as relações do usuário com o território. Uma mudança brusca de profissionais pode significar a necessidade de reconstruir vínculos desenvolvidos ao longo de anos, além da perda de profissionais experientes.