Perdas são acumuladas desde 2013O Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) iniciou a construção da campanha salarial 2026 dos médicos servidores do Estado com um eixo central claro: recompor as perdas inflacionárias acumuladas desde a aprovação da Lei Complementar nº 1.193, de 2 de janeiro de 2013, que regulamenta a carreira médica estadual. A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou 105,12% (2013–2025), enquanto a correção salarial aplicada aos médicos ficou em apenas 38,23% ao longo de 12 anos, o que equivale a apenas 3,8% ao ano. Para que a remuneração volte ao mesmo poder de compra de 2013, seria necessário um reajuste imediato de 48,38%.
O mesmo cenário se repete no plantão extra. Entre 2013 e 2025, a correção acumulada foi de 26,71%, muito abaixo da inflação. Para recompor as perdas, o valor do plantão precisaria ser reajustado em 61,79%.
A situação expõe um arrocho salarial prolongado, agravado pelo descumprimento da data-base da categoria, fixada em 1º de março pela Lei nº 12.391/2006. O governo estadual, reiteradamente, não encaminha projeto de lei para recomposição anual das perdas inflacionárias, o que vem aprofundando a desvalorização da carreira médica.
Para o delegado sindical Fábio Garrido, a recomposição é urgente. “A defasagem salarial acumulada desde 2013 compromete a permanência de médicos no serviço público estadual. Muitos profissionais acabam migrando para a iniciativa privada em busca de melhores condições remuneratórias. Repor essas perdas não é apenas uma questão de justiça salarial, mas de garantir que o Estado consiga atrair e manter médicos qualificados para atender a população.”
Além da recomposição inflacionária integral, o Sindicato levará à mesa outras pautas estruturantes para a valorização da carreira médica estadual:
Para o Simesp, a campanha salarial de 2026 não se resume a um reajuste pontual, mas à reconstrução da atratividade da carreira médica no Estado de São Paulo. “Estamos falando de recompor perdas acumuladas ao longo de mais de uma década. Sem essa correção, o Estado continuará perdendo profissionais para o setor privado e enfraquecendo o atendimento à população”, enfatiza Garrido.
A mobilização da categoria será fundamental para pressionar o governo estadual a cumprir a legislação e assegurar a reposição das perdas inflacionárias acumuladas.