Para Gerson Salvador, diretor do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) e médico do Hospital Universitário, o desmonte do hospital promovido pela administração da USP tem gerado uma piora crescente nas condições de atendimento à população. “É imprescindível que os recursos conquistados sejam empregados numa reestruturação efetiva do HU, passando pela reposição do quadro de funcionários e consequente reabertura dos leitos.”
Desde junho, a USP já recebeu pelo menos R$ 10 milhões do montante total da emenda de 2019. Do dinheiro auferido, R$ 6,5 milhões seriam para custeio do HU, enquanto os outros R$ 3,5 milhões deveriam ser empregados em recursos humanos, o que ainda não aconteceu.
Entenda o caso
Com o Plano de Demissão Voluntária (PDV), implementado pela Reitoria da USP em 2014, 25% dos leitos de internação foram fechados após o desligamento de mais de 200 profissionais. Como resultado, das 25 mil internações anuais realizadas na região do Butantã até 2013, 16 mil ocorriam no HU, hoje, o número caiu para cerca de 3 mil. Além disso, o corpo clínico, que contava com 299 médicos no mesmo ano, hoje atua com 248, comprometendo alas como a unidade de terapia intensiva (UTI) que atualmente opera com 12 leitos, oito a menos que em 2013.
Diante do desmonte do Hospital Universitário, funcionários e a sociedade civil se organizaram para coletar 44 mil assinaturas em um abaixo-assinado em prol do pleno funcionamento da instituição em 2018. As ações renderam R$ 48 milhões em emenda parlamentar conquistados junto a Alesp. Embora devesse ser empregado na restauração do hospital, o valor foi desviado de sua função, sendo integralmente utilizado para pagamentos de custos previdenciários.