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“As pessoas se sentiram reconhecidas”, avalia Ademir Lopes Junior, diretor do Simesp, a respeito do seminário Atenção Primária Quebrando Tabus

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25/04/2018 | Notícia Simesp

“As pessoas se sentiram reconhecidas”, avalia Ademir Lopes Junior, diretor do Simesp, a respeito do seminário Atenção Primária Quebrando Tabus

Ademir Lopes Junior, preceptor em medicina de família e comunidade e secretário de formação sindical e sindicalização do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) fez um balanço dos três dias do seminário Sexualidade e Diversidade: Atenção Primária Quebrando Tabus*. O evento, ocorrido na capital paulista, reuniu cerca 130 pessoas entre os dias 20 e 22 de abril. A ideia, agora, é repetir a experiência em outro estado do país, provavelmente no próprio mês de abril, no ano que vem.

“Teve uma coisa que foi muito emocionante, pois as pessoas se sentiram reconhecidas”, avalia. Ademir Lopes Junior cita, especificamente, uma mesa que tratou de sexualidade e interseccionalidade na qual se discutiu, principalmente, a questão da mulher negra. Citou isso e muito mais:

Aids/HIV

O diretor do Simesp também destacou uma mesa que tratou da sorofobia (que é a estigmatização de pessoas vivendo com HIV ou Aids) e também de métodos de prevenção à infecção pelo vírus HIV (como a profilaxia pré e pós exposição).

Oficinas

Ademir ainda lembrou das oficinas ocorridas ao longo do seminário. Ele citou duas. Uma sobre a questão da masculinidade e das demandas, hoje ocultas, que os homens poderão vir a exigir da atenção primária à saúde. A outra foi sobre como fazer uma prática médica feminista. Baseada em evidências, ressalta o médico de família. Ele recordou que nessa oficina, por exemplo, foi abordado como as mulheres podem enxergar os seus genitais com a ajuda de um espelho e avaliar como anda a sua própria saúde. Futuramente, o relatório de cada oficina será disponibilizado.

Apresentações Culturais

Esse foi outro aspecto importante do evento. Na abertura, a rapper Luana Hansen, negra e lésbica, cantou três músicas e lembrou da vereadora carioca Marielle Franco, assassinada em março desse ano ao lado do motorista Anderson Gomes, e de Luana Barbosa (que morreu, em abril de 2016, após ser espancada por três policiais militares no interior de São Paulo). A rapper também participou de uma das mesas. Na mesma noite de abertura, em 20 de abril, o coletivo Revolta da Lâmpada fez uma performance estimulando os presentes a escreverem cartazes sobre os temas mais urgentes das suas vidas. Surgiram frases como “Corpo livre é a cura”, “Meu corpo, minhas regras”, “Gozo, logo existo”, entre outras. O coletivo, como diz a sua própria página no facebook, “luta pelo corpo livre e acredita que fervo também é luta” e nasce após um estudante homossexual ter sido atacado, por um grupo homofóbico com uma lâmpada fluorescente, na avenida Paulista em 2010.

Painéis

Ademir também destacou que no local do evento haviam espaços para que os participantes pudessem se manifestar, escrevendo todo tipo de relato ou crítica. “A gente teve alguns painéis nos quais as pessoas podiam escrever, por exemplo, sobre violências que elas sofreram”, lembra.

Cadastro

O preceptor em medicina de família e comunidade ainda contou que no cadastro dos participantes foram perguntadas três coisas: orientação sexual, identidade de gênero e cor. Dados que estão sendo computados. “Pra gente ter um panorama das pessoas que puderam participar”, ressalta.

Rede

“Acho que se fortaleceu a rede entre as pessoas”, destacou. Citando que haviam profissionais de locais como Minas Gerais e Rio de Janeiro, além de São Paulo, e também de estados do Nordeste.

Mesas

Ademir ainda destacou algumas mesas: uma sobre experiências de atendimento à população transexual no munícipio de São Paulo e outra que trouxe representantes de diversas religiões. “Foi muito interessante porque as pessoas que estavam lá, estavam acolhendo a diversidade sexual”, avalia. “Também teve uma sobre prostituição, que foi muito interessante, discutindo a questão das prostitutas, de cuidados específicos e como elas podem ser acolhidas nos serviços de saúde”, explica Ademir Lopes Junior. O médico, diretor do Simesp, conta que, muitas vezes, elas sequer revelam o seu trabalho por medo de preconceito dos próprios profissionais de saúde.

*O seminário foi organizado pela Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC) em parceria com o Simesp, a Associação Paulista de Medicina de Família e Comunidade (APMFC) e a Associação de Medicina de Família e Comunidade do Estado do Rio de Janeiro (AMFaC-RJ). O evento foi realizado nas dependências da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), Campus São Paulo, no centro da capital paulista.