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Após pressão do Simesp, empresas se comprometem a avançar em pagamentos a médicos da UPA Vergueiro

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28/05/2026 | Notícia Simesp

Após pressão do Simesp, empresas se comprometem a avançar em pagamentos a médicos da UPA Vergueiro

A atuação do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) no caso da UPA Vergueiro começou a produzir novos desdobramentos. Em audiência realizada no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), na última sexta-feira (22), a Associação Filantrópica Nova Esperança (AFNE) e a Medplus assumiram o compromisso de realizar, no próximo dia 5 de junho, o pagamento de mais duas parcelas referentes aos plantões de novembro e dezembro de 2025 devidos às médicas e aos médicos da unidade. A AFNE é a organização social de saúde que administra a UPA Vergueiro e a Medplus era a empresa que administrava a escala de plantões na unidade e que efetivamente deixou de pagar os salários dos profissionais. 

O avanço ocorre após meses de cobrança e mobilização conduzidas pelo Simesp, que denunciou publicamente o calote sofrido por mais de 70 profissionais da UPA Vergueiro e organizou, em março deste ano, um ato em frente à unidade para cobrar respostas das empresas responsáveis, bem como da Prefeitura e da Secretaria Municipal da Saúde. Desde o início do caso, o sindicato vem acompanhando as negociações e pressionando pelo pagamento integral dos valores devidos.

Segundo os profissionais, os atrasos são de responsabilidade da Medplus, empresa responsável pelas escalas de plantão na unidade até o final do ano. Após negociação, a AFNE e Medplus assumiram o compromisso de parcelar os valores devidos em seis vezes. Até o momento, duas delas já foram pagas.

Durante a audiência no TRT, a diretora do Simesp, Juliana Salles, voltou a criticar a ausência da Prefeitura de São Paulo e da Secretaria Municipal da Saúde nas negociações, apesar de serem responsáveis pela contratação e fiscalização das organizações sociais que administram o serviço. “Mais uma vez, a Prefeitura de São Paulo e a Secretaria Municipal da Saúde não comparecem para prestar esclarecimentos sobre por que os médicos da UPA Vergueiro ficaram sem receber seus salários de novembro e dezembro. A AFNE estava presente como responsável pela gestão na ocasião, a Medplus também esteve presente, mas o poder público segue se omitindo diante de uma situação extremamente grave”, afirmou.

Juliana destacou ainda que os profissionais seguem aguardando o pagamento de valores referentes a plantões já realizados, enquanto enfrentam insegurança e instabilidade provocadas pela precarização das relações de trabalho na saúde pública. “Hoje foi estabelecido um compromisso de pagamento de mais duas parcelas, de um total de seis acordadas. Os médicos e médicas da UPA Vergueiro seguem aguardando o mínimo necessário para sua sobrevivência, que é o recebimento dos seus honorários”, ressaltou.

O caso da UPA Vergueiro é mais um símbolo das consequências da terceirização e da pejotização no serviço público de saúde. Além dos atrasos salariais, profissionais denunciaram descontos ilegais, falta de transparência nos pagamentos e insegurança contratual dentro da unidade.

Em reportagens anteriores, o Simesp já havia denunciado que parte dos médicos chegou a relatar pressão para aceitar descontos salariais como condição para recebimento parcial dos valores atrasados, além do silêncio das empresas responsáveis e da própria prefeitura e Secretaria Municipal da Saúde diante das cobranças realizadas pelo sindicato.

Para o Simesp, o episódio evidencia como o modelo de terceirização fragmenta responsabilidades e precariza as condições de trabalho dentro do SUS. O sindicato seguirá acompanhando o cumprimento do acordo firmado no TRT e manterá a pressão sobre as empresas e sobre a Prefeitura de São Paulo até a quitação integral dos pagamentos devidos às médicas e aos médicos da UPA Vergueiro.