De acordo com denúncias recebidas pelo Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), o grupo religioso hostiliza os profissionais e chegou até a agredir fisicamente uma paciente. Em resposta a esse assédio, no dia 25 de outubro, uma outra tenda foi montada em frente ao serviço por moradores da vizinhança e apoiadores dos direitos das pacientes e dos profissionais do hospital de acessarem livremente o serviço, atraindo voluntários de diversas áreas, entre eles, como médicos e psicólogos.
Para Eder Gatti, presidente do Simesp, os ataques caracterizam desrespeito a todos os profissionais que atuam no hospital e às pacientes, que já se encontram em um momento delicado. “Além do assédio, os médicos do hospital também sofrem com sobrecarga de trabalho, já que apenas três médicos atuam no local, quando seriam necessários pelo menos cinco para atender à demanda”, afirma.
O Pérola Byington é um dos únicos a fornecer o abortamento legal, um direito previsto em lei em caso de gestação com risco de morte para a mulher, quando a gravidez é resultante de um estupro ou se o feto for anencefálico.
Reuniões com a diretoria do hospital
O grupo que é a favor dos serviços do hospital realizou uma reunião com o diretor do Ambulatório de Violência Sexual (AVS) do hospital, André Malavasi, no dia 30 de outubro, que afirmou desconhecer a interferência do grupo de religiosos na rotina do serviço, chegando a afirmar que o acampamento religioso “não incomoda ninguém” e que não via motivos para reagir a ataques sofridos fora do hospital.
A defasagem da escala e a sobrecarga de trabalho ocasionado pela alta demanda do local também foram apontadas como problemas do serviço pelo diretor durante a reunião, que sinaliza a necessidade de ampliação da oferta em outros hospitais da rede pública.
Já ontem, dia 31 de outubro, aconteceu outra reunião entre Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de São Paulo e Alex Perez, diretor das gerências de apoio técnico e ambulatorial e do escritório da qualidade do Pérola Byington. Contrapondo Malavasi, Perez reconheceu que funcionários podem estar sofrendo assédio e disse que estão atentos para acionar a polícia, se necessário.