14/01/2022 | Notícia Simesp

Após anúncio da paralisação dos médicos da APS, Secretaria Saúde promove desmobilização


Há mais de dois anos, os trabalhadores da saúde enfrentam intensa sobrecarga e sofrem com adoecimento físico e psíquico. Desde então, o Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) tem recebido denúncias de exaustão e sobrecarga, desabastecimento de insumos e medicamentos, infraestrutura precária, obrigatoriedade de trabalho aos fins de semana e feriados e não pagamento de horas extras. Com o aumento dos casos de Covid-19 e Influenza e a superlotação de unidades de saúde e hospitais, o atendimento adequado à população se torna inviável, pois não há profissionais suficientes para exercê-lo. O que se encaminha é o colapso do sistema de saúde.

Assim, médicas e médicos da Atenção Primária à Saúde (APS) de São Paulo realizaram nova assembleia ontem, 13 de janeiro. Os quase 150 presentes confirmaram as principais reivindicações da categoria,

  • contratação imediata de mais equipes para o atendimento de síndromes gripais;
  • garantia de condições mínimas de trabalho;
  • desobrigação do comparecimento em fins de semana e feriados; e
  • retomada dos espaços de discussão entre o Sindicato e a Prefeitura,

e deliberaram, em uma votação expressiva, pela paralisação da categoria na próxima quarta-feira, 19 de janeiro de 2022 e o vigor do estado de mobilização permanente. 

Cabe frisar a predisposição da categoria ao diálogo. Foi solicitado novamente à Prefeitura de São Paulo e à Secretaria Municipal de Saúde (SMS) uma reunião com o Simesp bem como uma resposta para reestruturação das equipes desfalcadas e um plano de reposição dos profissionais afastados, com prazo até 17 de janeiro. Assim, será possível reavaliar a manutenção da paralisação do dia 19.

Nesse mesmo intuito de resolução, o Simesp tentou dialogar inúmeras vezes com a Prefeitura, a SMS e as Organizações Sociais de Saúde (OSS) gestoras e até obteve retorno, através de ofícios, declarações públicas e entrevistas, realizadas entre ontem e hoje (14). A SMS diz ter acatado parte das reivindicações, o que só ocorreu após o indicativo de paralisação, revelando o descaso com os profissionais e a população. No entanto, as respostas do poder público e das OSS divergem, onde um joga a culpa no outro, como divulgamos em nossas redes sociais. A Prefeitura diz ter autorizado o pagamento das horas extras e a contratação de trabalhadores, medicamentos e insumos pelas OSS. Porém, elas se bastaram a dizer que isso é de responsabilidade do poder público. A pasta afirma que nenhum profissional da APS é obrigado a comparecer em fins de semana e feriados. Contudo, recebemos denúncias das gerências das OSS convocando para o trabalho nesses dias, sem antecedência mínima e por WhatsApp. Além disso, até o momento, não houve resposta ao Simesp para as solicitações de reunião e, muito menos, implementaram medidas concretas e imediatas para garantir condições adequadas de trabalho ou diminuir o número de contaminações.

As medidas aplicadas até aqui só vieram no sentido de intensificar as jornadas de trabalho. A Prefeitura resolveu ampliar os dias e horários de atendimento das unidades de saúde, sem consultar os profissionais. Disse, também, que contrataram 280 médicos e enfermeiros extras e autorizaram a contratação de mais 700. Contudo, não se sabe onde estão alocados esses trabalhadores e, conforme visita do Simesp às unidades de saúde nesta semana, as equipes seguem desfalcadas.

Vemos com estranheza a forma de comunicação da SMS que, até o momento, não respondeu diretamente ao Simesp, mas que divulgou por WhatsApp uma mensagem com uma série de alegações para resolução das reivindicações dos profissionais, como uma suposta reunião com o sindicato, justamente, no dia da paralisação (19). Essa comunicação não chegou ao Sindicato de maneira oficial, mas por intermédio de jornalistas, e é uma clara tentativa de desmobilização da categoria. Nenhuma reunião com a pasta foi agendada, sobretudo, porque o prazo dado para a reunião de negociação é no dia 17 de janeiro. Além disso, o secretário de saúde, Edson Aparecido, afirmou em entrevista ao Uol (14) que o Sindicato chamou greve 8 vezes durante a pandemia e que a entidade não está aberta a negociação, o que é inverídico. 

Desde o início da mobilização, o Simesp se dispôs ao diálogo, agindo conforme a deliberação da categoria. A paralisação não é uma falta de civilidade, mas é um direito e instrumento de negociação, que já apresenta resultados entre aqueles que resistem a ouvir os trabalhadores. A categoria vem comprometida com uma saúde de qualidade, mesmo sofrendo com o adoecimento, mortes e sequelas do Covid-19. E o Simesp segue ao lado das médicas e médicos de São Paulo, na defesa de seus direitos e de melhores condições de trabalho e atendimento à população. Aguardamos o retorno oficial da Prefeitura e da SMS.



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