O belo sobrado localizado na rua Lopes Chaves, 546, no bairro da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo, foi adquirido pela mãe de Mário de Andrade, após a venda do imóvel da família no largo do Paissandu.
O poeta e escritor, que foi um dos principais expoentes do movimento modernista e da Semana de Arte Moderna, em 1922, viveu naquela residência até sua morte, e citou a construção em vários de seus textos, como em Poemas da Amiga:
(…)
Quando eu morrer quero ficar,
Não contem aos meus amigos,
Sepultado em minha cidade,
Saudade.
Meus pés enterrem na rua Aurora,
No Paissandu deixem meu sexo,
Na Lopes Chaves a cabeça
Esqueçam.
(…)
Em 1990, o espaço virou sede da Oficina Cultural Casa Mário de Andrade, com programação temática voltada para áreas específicas do texto e da literatura. À época da inauguração, restava apenas o piano dele no local.
No ano passado, em celebração ao 70º aniversário da morte do autor, a casa foi reformada e ganhou mais um objetivo: a preservação. Na ocasião, foi inaugurada a exposição permanente A morada do coração perdido, como o próprio autor se referia à construção.
A partir daí, o local começou a abrigar também um acervo com objetos que pertenceram a ele, como móveis, aparelhos e uma minibiblioteca. “Há um planejamento para priorizar a casa como um museu devido ao seu valor histórico”, expõe Raul Christiano, diretor das Oficinas Culturais do Estado de São Paulo.
O que torna a visita ao espaço mais interessante são as histórias contadas pelo educador Marcelo Ozorio, que, além de trazer o conteúdo histórico da construção e sobre a vida do poeta, aborda durante suas conversas com os visitantes o que mais lhe interessa sobre a obra do autor. “Fazemos visitas dialogadas e não monitoria. O Mário transitou por diversos campos da arte, por isso focamos no que é de interesse do visitante, como folclore, poesia…”, conta o educador.
Oficinas culturais
As oficinas culturais foram mantidas e os projetos incluem o estudo e a criação de diversos gêneros literários (conto, romance, poesia e dramaturgia), jornalismo, crítica, interpretação de textos e redação, somados a palestras, ciclos de depoimentos de escritores, leituras dramáticas, recitais, mostras de filmes, lançamentos de livros e saraus. “Desenvolvemos a programação priorizando a vida e obra do Mário de Andrade”, explica o diretor das Oficinas.
A programação é desenvolvida a cada trimestre e divulgada no site. Para agendar a visita dialogada, entre em contato com o Núcleo de Ação Educativa pelo telefone: (11) 3666-5803 ramal 23, de terça-feira a sábado, das 9h30 às 14h, e toda última terça-feira do mês, das 9h30 às 20h.