Segundo Victor Dourado, presidente do Simesp, o sindicato recebeu diversas denúncias de perdas salariais para os médicos do município durante o período de pandemia. “Em vez de gratificar os profissionais que estão na linha de frente e que estão adoecendo devido ao coronavírus, o que a prefeitura faz é retirar gratificações devido ao adoecimento”, explica Dourado.
O Simesp também reivindica que o abono salarial de R$ 1000 que a prefeitura está aplicando a profissionais que atuam na linha de frente do combate à Covid-19 seja estendido a todos os médicos do município, não apenas os que atuam em algumas unidades de saúde.
Achatamento salarial e aumento da alíquota previdenciária
A situação é ainda mais precária, uma vez que os médicos do funcionalismo público municipal estão sem reajuste salarial equivalente ou superior à inflação anual há anos. Segundo Dourado, agora esses profissionais ainda terão 3% a mais de descontos em folha de pagamento, por efeito da aprovação do aumento das alíquotas previdenciárias de 11% para 14% no município, no dia 2 de julho.
Para se ter uma ideia, somando os números do aumento da alíquota previdenciária e a inflação anual apenas de 2019, a perda salarial dos médicos servidores públicos de Guarulhos é de 5,33%. Nos últimos cinco anos (de 2015 a 2019), a soma do deságio, incluindo a nova alíquota da previdência, é de 17,38%.
“Esses profissionais estão diante de um achatamento real de salário que é substancial”, conclui Dourado.
Confira abaixo os reajustes dos últimos anos comparados à inflação anual medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA):
Reajuste salarial
2019 – 2%
2018 – 3%
2017 – 3,26%
2016 – 0%
2015 – 6%
Inflação anual
2019 – 4,31%
2018 – 3,75%
2017 – 2,95%
2016 – 6,29%
2015 – 10,67%