Data reforça a necessidade de escalas equilibradas com jornadas reduzidas, vínculos estáveis e condições dignas de trabalho
Neste 1º de Maio, Dia do Trabalhador, o Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) chama atenção para um dos principais desafios enfrentados hoje pelos profissionais da saúde: o fim da escala 6×1. Médicas e médicos são historicamente submetidos a jornadas exaustivas, plantões sucessivos e escalas sobrecarregadas, que adoecem os profissionais física e mentalmente. Esse quadro se intensifica com o avanço da terceirização dos serviços públicos de saúde, que tem gerado uma pejotização em massa dos profissionais.
Esse “combo da tragédia anunciada” tem aprofundado a precarização das relações de trabalho, e, a longo prazo, tende a agravar o adoecimento da categoria, impactando não apenas a vida profissional, mas também a pessoal. Nesse sentido, a discussão sobre o fim da escala 6×1 não diz respeito apenas às condições de trabalho, mas à construção de um sistema de saúde mais seguro, eficiente e humano para todos. Segundo a secretária-geral da diretoria plena do Simesp, Juliana Salles, “adoecimento, burnout, sobrecarga emocional e ruptura do convívio familiar são consequências comuns em um modelo que prioriza produtividade em detrimento da dignidade e que se mantém mais por inércia institucional do que por necessidade real”.
No Brasil, o debate pelo fim da escala 6×1 ganhou projeção a partir de iniciativas de movimentos sociais e de representantes no Congresso, além de declarações do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que tem defendido com seriedade a adoção de uma jornada mais humana, apontando a incompatibilidade desse regime com a construção de uma sociedade mais justa e equilibrada, mas ainda é preciso avançar.
O Simesp tem se colocado na linha de frente da defesa dos trabalhadores da saúde, com atuação contínua em espaços de debate público, como audiências e articulações institucionais. O sindicato atua pela construção de uma frente ampla para enfrentar o avanço das terceirizações, quarteirizações e da pejotização, que vêm desestruturando a saúde pública, além de fortalecer a valorização da categoria.
Em outubro de 2025, o sindicato esteve presente em audiência pública promovida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, representado por seu presidente, Augusto Ribeiro, que, durante o debate sobre os “Desafios econômicos e sociais da pejotização no Brasil”, alertou para os impactos da terceirização na categoria. No mesmo mês, representando o Simesp, Thais Tubero, secretária de administração, e o delegado sindical Jaime Torrez participaram de agendas institucionais, em Brasília, e se reuniram com o Conselho Nacional de Saúde (CNS), o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) e a Federação Nacional dos Médicos (Fenam), além de levarem o convite aos deputados federais Erika Hilton e Guilherme Boulos. As agendas reforçaram a necessidade de mobilização permanente diante das ofensivas que buscam transformar vínculos trabalhistas em contratos precários e sem direitos.
Nesse contexto, a participação do Simesp na Marcha da Classe Trabalhadora, realizada neste mês de abril em Brasília, reforça o compromisso com pautas estruturantes dos trabalhadores do Brasil. O ato reuniu centrais sindicais de todo o país em torno de reivindicações como o fim da terceirização e da pejotização, a revogação das reformas trabalhista e previdenciária e o enfrentamento à precarização das condições de trabalho, com destaque para o combate à escala 6×1, que impacta diretamente os profissionais da saúde.
Longe de representar modernização ou eficiência, a terceirização tem aprofundado a precarização das relações de trabalho, fragilizado equipes e colocado em risco a qualidade da assistência prestada à população. Nos últimos anos, ela deixou de ser uma medida pontual e emergencial para se tornar política permanente em diferentes serviços de saúde. Na prática, isso significa substituir profissionais concursados por contratos instáveis, mediados por empresas e organizações sociais (OSs), muitas vezes marcados por atrasos salariais, alta rotatividade e ausência de garantias trabalhistas.
Esse cenário tem impactos diretos no cotidiano dos trabalhadores. Médicas e médicos passam a atuar sem vínculos formais, sem segurança jurídica e sem direitos básicos assegurados. A pejotização, cada vez mais comum, transforma profissionais em prestadores de serviço, transferindo riscos e responsabilidades para quem está na linha de frente do atendimento, enquanto nega todos os direitos previstos nos contratos de concursados e celetistas.
Defender o trabalho digno na saúde é defender também o direito da população a um atendimento de qualidade, contínuo e seguro.
Neste 1º de Maio, o Simesp reitera sua defesa do fim da escala 6×1, da terceirização e da pejotização. Lutar pelo fim desse modelo é defender condições dignas de trabalho na saúde e, ao mesmo tempo, assegurar um atendimento mais seguro e de qualidade para a população.