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31/10/2018
Os possíveis rumos das políticas públicas em HIV/aids e hepatites virais foi o tema de debate sediado no Simesp

Sindicato formará grupo de trabalho sobre o assunto e participará do Dia Mundial da Luta Contra Aids, em 1º de dezembro

SIMESP
Os rumos das políticas públicas em HIV e hepatites virais foi o tema de debate na sede do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) na última terça-feira, dia 23 de outubro. O evento, organizado por um grupo de médicos, teve como objetivo discutir os possíveis cenários frente à ameaça democrática em nosso país. Ainda, o Simesp participará, junto às entidades da sociedade civil, do Dia Mundial da Luta Contra Aids, em 1º de dezembro, além de formar um grupo de trabalho voltado às políticas públicas em HIV/Aids.

Pedro Campana, infectologista e um dos organizadores do evento, explicou que, se hoje existem medicamentos de última geração para toda a população infectada pelo HIV, isso se deve a lutas históricas no decorrer de mais de 30 anos. “Por isso decidimos nos organizar para debater as políticas públicas e os rumos caso a ameaça democrática se concretize.”

Em 2018, quase 10% das políticas públicas sobre Aids foram cortadas no Brasil, contou Paulo Giacomini, secretário nacional de informação e comunicação da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e AIDS (RNP+) no Estado de São Paulo. Em seu discurso, Giacomini citou que pelo menos quatro mulheres trans foram assassinadas no Brasil em razão dos discursos de ódio proferidos pelo então candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro, e declarou temer por sua própria segurança. “Eu estou com muito medo. Eu me sinto como os homossexuais da Alemanha, mas sem ir diretamente aos campos de concentração. Se eu ficar dois anos sem tomar medicação, eu posso ter uma morte, mas eu também posso ser morto na rua por não terem gostado do meu brinco.”

Maria Clara Gianna, médica sanitarista integrante da mesa do debate, falou sobre as novas tecnologias para o tratamento das ISTs e ressaltou que a terapêutica depende de políticas públicas. Artur Kalichman, também sanitarista e membro da mesa, complementou a fala da colega dizendo que, dependendo do resultado das eleições, o ativismo e as políticas públicas poderão ser deixadas de lado, o que é preocupante.
Já Rafael Tavares Salles, médico da estratégia Consultório na Rua e redutor de danos da ONG É de Lei, leu carta de sua autoria sobre a população que atende. Salles explicou que o programa governamental no qual trabalha possibilitou que a população excluída e marginalizada se sentisse parte do acesso à saúde e não invasora do espaço.


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